Mesa sobre educação debate os rumos da greve nacional

O segundo dia do Congresso Nacional da ANEL, que acontece na Unicamp, em Campinas, São Paulo, iniciou com peso. A primeira atividade reuniu os principais setores da educação que estão em luta no país. Paulo Rizzo, do Sindicato Nacional de Docentes do Ensino Superior (Andes-SN), Gibran da Fasubra, Fabiano do Sinasefe, Márcia da oposição ao sindicato dos professores do Paraná, Joaquim estudante do Chile, João Zafalão da Oposição Alternativa Apeoesp e Lucas Brito da Comissão Executiva Nacional da Anel defenderam a necessidade de uma greve geral da Educação.

 

Paulo Rizzo (Andes-SN)

 

Com cortes que chegam a R$ 9,4 milhões no setor, várias universidades e escolas do país estão em situação precária: funcionários terceirizados com salários atrasados, cortes na assistência estudantil, precarização dos docentes, entre outros problemas. A única alternativa é defender paralisação nacional. Ao todo, já estão mobilizadas 54 das 69 universidades brasileiras federais e algumas estaduais.

 

Gibran (Fasubra)

 

O início do segundo mandato de Dilma apresentou o lema “Pátria Educadora”, uma verdadeira falácia frente à política de cortes orçamentários na educação. Além disso, o contingenciamento de verbas afeta também os setores da educação básica, com cortes dos governos estaduais. “O quadro da educação brasileira hoje é um caos. A greve da educação básica é movida principalmente por péssimas condições de trabalho, piso salarial e reajuste. É uma greve de resistência, contra o corte de direitos e que escancaram a crise econômica do país em curso. Quando o mercado interno não resolveu mais a crise, a solução encontrada foi cortar direitos dos professores”, afirmou Márcia, da oposição ao sindicato dos professores do Paraná.

 

O atual governo não tem nenhum compromisso em garantir a qualidade do ensino, ou em expandir a oferta na educação pública. Paulo Rizzo afirmou que para o Governo Federal, o que vale agora é o ajuste fiscal. “No ano passado, foram R$ 7,5 bi que deixaram de ser passados para as universidades. Não bastasse esse corte, agora R$ 9,5 bilhões vão ser cortados na educação. Essa é a Pátria Educadora. Se não pararmos através da greve, as universidades federais vão parar por falta de recursos”. Com o ajuste, todo o processo de expansão que já era sucateado, agora está totalmente paralisado e com um aprofundamento de precarização do trabalho. “Os terceirizados passaram o Natal e o início do ano sem receber salários”, lembrou Gibran.

 

A situação no ensino privado também é grave. Desde o início, o projeto de educação do PT foi de privatização e transmissão de recurso para os empresários do ensino. “A concepção da educação no Brasil é de formar pessoas exclusivamente para o mercado do trabalho.  Grande parte do projeto de educação do PT é o investimento majoritário no PRONATEC, institutos profissionalizantes vinculados a empresas, sem nenhum controle de qualidade sobre a formação, ou até mesmo sobre o número de formados nesses institutos. São repassadas as verbas sem exigir nenhuma contrapartida. Não queremos mais uma educação para a terceirização”, defendeu o representante do Sinasefe Fabiano. O tema do ensino privado também foi tocado por Lucas Brito: “Os cortes no ProUni e no Fies afetaram os estudantes mais precarizados  das universidades particulares. Vamos defender a manutenção deles no ensino superior, com o perdão das dívidas adquiridas através desses programas, e a garantia da conclusão nos cursos”, defendeu.

 

Já o estudante chileno Joaquin, lembrou que o processo de privatização da educação existe em todo o mundo, como política do Banco Mundial. No último mês, o movimento estudantil do Chile levou 150 mil às ruas num grande movimento pelo direito à educação pública e gratuita.

 

Ao encerramento da mesa, Lucas Brito ressaltou: “Nossa tarefa é fazer aqui no Brasil a luta do Chile. Nos cabe aqui uma responsabilidade histórica: criar uma nova referência para organizar os lutadores do movimento estudantil. A ANEL está disposta a construir uma grande greve estudantil por todo o país para barrar os ataques nos direitos da juventude e na educação. Vamos nos esforçar para construir em cada canto a greve: nas estaduais, nas federais, nas privadas e escolas secundaristas”, concluiu.

 

Lucas Brito (CEN) fala ao plenário.

 

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