Chega de DGs, a juventude negra tem direito ao futuro!

             Paula Nunes - Comissão Executiva Estadual da ANEL/SP e Quilombo Raça e Classe

gnews_dg2_20140423100951               No dia 22 de abril, o jovem Douglas Rafael (DG) foi encontrado morto na comunidade onde morava, o Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro.  DG trabalhava como mototaxista na comunidade e era dançarino do programa Esquenta!, veiculado aos domingos pela Rede Globo de Televisão e apresentado por Regina Casé. Apesar de a princípio a polícia ter tentado descartar a possibilidade de assassinato, a perícia logo constatou que o DG tinha levado um tiro que perfurou seu tórax e seis policiais militares da UPP Pavão Pavãozinho confessaram a possibilidade de terem desferido o tiro que matou o jovem.   A arte que imita a vida No ano de 2013, DG foi o protagonista do curta-metragem “Made in Brazil”, que retrata o assassinato de um jovem no Pavão-Pavãozinho. No início do curta, a rotina de um jovem morador da comunidade: futebol com os amigos na praia, subir o morro para voltar para a casa, compras no mercadinho do bairro e a benção de um religioso. 132875_ext_arquivo                Por fim, o protagonista é abordado por policiais militares em uma escada e sob os dizeres que era um trabalhador, é morto com um tiro na cabeça. Curiosamente, DG foi encontrado morto na mesma escada em que filmou o seu assassinato fictício. Nas periferias do Brasil, a arte imita a vida. Douglas provavelmente não sabia que seria assassinado pela polícia, mas retratou o que estava acostumado a ver na comunidade em que morava, o assassinato de jovens trabalhadores por conta da brutal violência policial.   Esquenta!: o mito da Democracia Racial na televisão Ao mesmo tempo em que o curta-metragem protagonizado por DG representa a triste realidade da periferia, o racismo policial e o genocídio da juventude negra, o programa Esquenta!, no qual ele era dançarino , em nada reflete a vida da população negra. Aos domingos, vemos ser transmitido na Rede Globo o verdadeiro mito da democracia racial, a falsa ideia de que a Casa Grande e a Senzala podem conviver em harmonia, de que é possível unir os garis lutadores do Rio de Janeiro, a Dilma e um grande empresário de sucesso no mesmo programa, porque ao som do samba, somos todos iguais. O que o programa não mostra é que ao fim do programa, enquanto o empresário e a Dilma irão retornar para suas casas de helicóptero ou em carros de luxo dirigidos por motoristas, os garis continuarão pegando o transporte público lotado, com condições de trabalho precárias e um salário mensal que sequer atende às necessidades básicas de suas famílias. É muito importante que o programa Esquenta! homenageie e lamente a morte de seu dançarino DG, mas também é preciso que reconheça que não nos representa,      e que ao invés de colaborarem com o combate ao racismo e das políticas de extermínio da juventude negra, apenas reforçam a falsa ideia de que os brancos e os negros são tratados igualmente em nosso país, negando os reflexos do racismo.   Desmilitarização já!                 A mãe de DG, Maria de Fátima, rejeitou encontrar-se com o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), alegando em entrevista: “Nenhum político vai se projetar em cima da imagem do meu filho. Existem outros crimes iguais ao do meu filho que não foram solucionados até agora, como o da auxiliar de serviços gerais, Claudia da Silva Ferreira, que caiu no esquecimento (...) O que eu quero ele não precisa de mim para fazer. Eu quero uma polícia correta e digna na rua e não uma polícia assassina. E não homens armados, tendo a população como inimiga. Eu quero que ela [a polícia] aja com rigor e traga à tona a verdade desse caso”. Atualmente, um jovem negro tem 159% mais chances de ser assassinado do que um jovem branco. O direito ao futuro é negado à juventude negra, que tem como destino certo ser encarcerada ou ser assassinada. As mulheres negras sofrem com a angústia diária de não saber se os seus filhos, companheiros e irmãos irão retornar para suas casas  e muitas vezes não o vêem, a exemplo de Bete, companheira de Amarildo, ou Maria de Fátima, mãe do DG. A polícia militar, sob o comando dos governos estaduais, é uma das maiores responsáveis pela política de extermínio da juventude negra, contando ainda com o silêncio cúmplice do governo federal, que se preocupa em investir dinheiro em programas que reforçam as polícias militares, como a Operação Delegada, fomentam os programas de remoções de comunidades para a construção de estádios para a copa do mundo e não se preocupam em investir em políticas de combate ao racismo e que ponham fim ao genocídio do povo preto. Não vamos aceitar mais DGs, Cláudias, Amarildos, Douglas, Jeans ou Dalestes. A nossa luta pela desmilitarização da polícia militar é fundamental no combate ao genocídio da juventude negra, além de políticas efetivas de promoção do direito ao futuro da juventude negra. 10308103_702837519758481_3278658591399183655_n

 

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