Estado veio quente, nois já tá fervendo! É possível vencer Geraldo Alckmin!

A luta dos estudantes secundaristas do estado de São Paulo está chegando aos seus momentos decisivos. Por um lado, por volta de duzentas ocupações de escola estão bem consolidadas, com o apoio de familiares, professores e das comunidades. As ocupações, nos últimos dias, se combinaram com o fechamento de avenidas, ações para dar maior visibilidade à mobilização que estamos construindo.

Por outro lado, na terça-feira passada, dia 01 de dezembro, foi publicado o decreto da reorganização escolar no Diário Oficial, contrariando a opinião pública e os interesses de professores, pais e alunos. O governo do estado intensificou sua “guerra” contra as escolas ocupadas. A PM está invadindo escolas, provocando, agredindo, prendendo estudantes e forjando cenas de destruição das escolas para criminalizar a nossa luta. 

Depois de mais de dois meses de mobilização, que já assumiu as formas de manifestações de rua, paralisação das aulas, ocupações e fechamento de avenida, os estudantes secundaristas conquistaram um enorme apoio da população, de artistas e personalidade de todo o Brasil e até de outros países. Já podemos dizer que somos vitoriosos porque pela primeira vez em alguns anos fomos capazes de produzir uma luta que está desgastando o governo Alckmin frente a um setor amplo da população, que o fez perder a pesquisa de opinião publica onde mais de 60% dos entrevistas se declarou contra o projeto de reorganização. Foi por esse apoio da opinião publica que derrotamos na Justiça as tentativas de reintegração de posse e manter esse apoio é nosso grande desafio nesse momento mesmo com a intransigência do governo que tentará nos desmobilizar de diversas formas.

Agora, enfrentamos uma dura repressão e uma campanha negativa da grande mídia. A intransigência do PSDB parece ser inquestionável. Porém, é possível vencer Geraldo Alckmin, desgastar seu governo e enfraquecê-lo para novos ataques. Se ele insistir em impor o fechamento de escolas e a separação dos ciclos por cima da vontade da comunidade ele terá que pagar muito caro por isso.  Para isso, o movimento estudantil precisa unificar e articular as escolas de luta, fortalecer cada ocupação com a participação dos familiares e da comunidade e, por fim, isolar politicamente o governador, ampliando o debate para o conjunto da sociedade. Na defesa do direito ao futuro de nossa juventude a luta só começou e não iremos recuar enquanto não conquistarmos o que queremos.

Organizar um Encontro Estadual das Escolas de Luta!

            Estamos vivendo um momento decisivo da luta contra a reorganização escolar paulista, pois o governo está usando de muita violência contra as ocupações e as manifestações de rua dos estudantes secundaristas. Mesmo assim as ocupações estão resistindo e tendo apoio da comunidade.

A proximidade com o final do ano pressiona por uma resolução rápida do problema, mas não podemos recuar. Em nossa opinião, o movimento precisa avançar em três sentidos. Nós, da ANEL, vamos propor essas iniciativas nas ocupações onde participamos.

Primeiro, é necessário fortalecer as ocupações a partir da comunidade ao redor das escolas, construindo programações diárias com atividades políticas, culturais e artísticas. Toda ocupação deve se transformar num espaço público da comunidade, atraindo a vizinhança, os familiares dos estudantes, os movimentos sociais da região. Temos que realizar reuniões com os pais e os professores para explicar os motivos da ocupação e debater os caminhos da luta ao lado deles. 

Em segundo lugar, precisamos expandir a discussão política sobre o projeto de reorganização escolar e a repressão do governo estadual para o conjunto da sociedade. Temos que produzir informação contra a campanha negativa da grande mídia e buscar os meios de comunicação. O comando das escolas ocupadas deveria chamar uma coletiva de imprensa  com o objetivo de divulgar nossas propostas e denunciar as atrocidades da Polícia ou divulgar um boletim público e uma entrevista com uma mídia alternativa como os jornalistas livres, por exemplo. Um pronunciamento público é uma forma de contrabalançar tudo o que a grande imprensa diz na forma de mentiras para tentar jogar a população contra nós. 

Por fim, não podemos mais adiar a ampliação do comando das escolas ocupadas que começou a se articular a partir do Fernão Dias, único fórum legítimo para falar em nome da luta dos secundaristas de São Paulo. A ANEL vem, junto com o coletivo Mal Educado, trabalhando pela consolidação e expansão do comando, que já reúne dezenas de escolas. Todas as escolas devem eleger 2 representantes em assembleias e envia-los à essas reuniões.

Nenhuma escola vai resistir sozinha, precisamos coordenar as nossas ações e dar respostas políticas comuns, que expressem a força do movimento. Só vamos garantir o protagonismo dos estudantes da base na tomada de decisões com um comando unitário e democrático forte.

Infelizmente, algumas organizações políticas e entidades estudantis ainda não se somaram no fortalecimento do comando e fizeram apenas fóruns próprios de articulação. Algumas, inclusive, tentam falar em nome do movimento através de suas páginas de Facebook ou negociar sozinhas com o governo estadual e as diretorias de ensino, como fez a UMES de Santo André.

Nós convidamos todas as entidades e coletivos, a UMES-SP, a UPES, o Juntos e os moderadores da página Não feche minha escola principalmente, a mudarem essa postura e se somarem a nós para convidar todas as escolas a participar da construção do comando das escolas ocupadas que terá sua próxima reunião nessa sexta feira as 14h na E.E. Alves Cruz. A luta contra a intransigência e a violência do PSDB exige a maior unidade possível.

Reafirmamos nossa postura de que em um momento como esse nenhuma entidade, nem mesmo a ANEL, e muito menos coletivos devem falar em nome dos estudantes porque a única coisa que pode representá-los são as assembleias e os comandos unitários que são o resultado da própria luta e devem ser impulsionados por todos os que tem responsabilidade com um movimento democrático e combativo. 

Para a próxima reunião acreditamos que é preciso dar passos firmes na convocação de um encontro estadual das escolas ocupadas que se realize ainda no final de semana e possa fortalecer as ações extrapolando a capital do estado e reunido escolas do interior e litoral. Ao mesmo tempo, acreditamos que seria fundamental que o comando convocasse um ato de rua unificado para a próxima semana onde todos os que quiserem demonstrar seu apoio a essa luta possam se manifestar.

 

Alckmin, Dilma e Cunha são inimigos da juventude!

            O projeto de reorganização escolar de São Paulo significa o avanço do sucateamento da rede de ensino público estadual, pois, na verdade, além da separação dos ciclos, pretende fechar noventa e quatro escolas. A reestruturação vai provocar demissões de professores, superlotação das salas de aula, precarização do trabalho de professores.   

                Além disso, o projeto tucano vai desarticular a vida de milhares de famílias, porque os filhos não vão mais poder estudar perto de casa. Os custos com o transporte devem aumentar e onerar ainda mais a renda familiar, que já está consumida pela alta da inflação e mais alunos tendem a abandonar a escola aumenta ainda mais o número de alunos que não conclui os estudos.

                A reorganização escolar está dentro de um pacote de ataques de Geraldo Alckmin, junto com a privatização da Sabesp e do Metrô, o congelamento dos concursos públicos e dos salários dos servidores, o desmonte das universidades estaduais paulistas. São todos ataques que visam fazer o governo cortar gastos para diminuir a dívida do estado com a União.

A dívida de São Paulo é a maior do país, no valor de 188 bilhões de reais, e já alcança 147% da receita do estado. Diante da crise econômica, o governo federal vem aumentando a pressão sobre os governos estaduais, pois esse dinheiro serve para pagar os juros da Dívida Pública aos banqueiros e credores internacionais.    

Desse modo, o fechamento das escolas de São Paulo só pode ser compreendido como parte do ajuste fiscal que o governo petista e os governos estaduais e municipais estão aplicando. As restrições do acesso ao seguro desemprego e os cortes nas verbas da educação, medidas tomadas pela presidente Dilma, estão no mesmo sentido.

E o pior é que, enquanto os governos retiram dinheiro da saúde, moradia e educação, continuam as isenções fiscais e os empréstimos baratos para as grandes empresas. Se o governo Dilma suspendesse o pagamento da dívida pública e o governo Alckmin cobrasse as empresas que não pagam ICMS, sobrariam bilhões de reais para investir nas áreas sociais.                   

            O PSDB e PT vivem brigando nas eleições, mas aplicam a mesma política. Ambos concordam em fazer a juventude e a classe trabalhadora pagar os prejuízos da crise econômica que eles mesmos provocaram.

Da mesma forma, Cunha no congresso nacional vem realizando ataques a juventude como a apresentação e defesa do projeto de lei da redução da maioridade penal que irá encarcerar ainda mais a juventude negra e moradora da periferia, os mesmo que dependem das escolas publicas para estudar. A juventude é a maior vítima de mortes por razões violentas no Brasil e querem nos transformar nos culpados dessa violência que somos antes de tudo, as maiores vítimas. No estado que constrói mais prisões do que escolas não há dúvida que há uma ligação entre todos os governos para atacar nossos direitos.

Os partidos políticos da ordem governam a favor dos ricos e poderosos. Nenhum deles nos representa. Por isso, a luta dos secundaristas de São Paulo deve ter como objetivo não só a derrota do governo estadual tucano, mas precisa também servir para dar um basta nos governos inimigos da juventude, aqueles que sempre estiveram no poder. É nossa tarefa organizar os de baixo, estudantes e trabalhadores, para derrubar os de cima.

A nossa luta é a melhor escola!

A onda de ocupações de escolas vem mobilizando milhares de jovens negros e negras, moradores das periferias, o setor da juventude brasileira mais atingido pelo ajuste fiscal e pelos ataques do Congresso Nacional, como a redução da maioridade penal. São adolescentes, menores de idade, que se transformaram em ativistas políticos e estão aprendendo e ensinando lições de resistência popular às conseqüências da crise econômica.

O nível de organização das ocupações é incrível. As tarefas são divididas em comissões internas, as assembleias são democráticas e todos tomam coletivamente as decisões sobre os rumos do movimento. Os estudantes estão devolvendo às escolas o seu caráter público, preenchendo a programação das ocupações com atividades artísticas abertas às comunidades e debates políticos e culturais.  Pela primeira vez estão tendo uma experiencia verdadeira de educação, um reconhecimento de si mesmos através das ações coletivas e um aprendizado que levarão para a vida toda.

Independente do resultado dessa batalha dos estudantes secundaristas de São Paulo, que enfrentam a truculência dos governos e da Polícia, o movimento estudantil não será mais como antes.  A experiência vivida nessa luta fez levantar a juventude negra e periférica, cada vez com mais consciência da sua exploração e opressão. Estamos vendo surgir a vanguarda das próximas mobilizações pelo o direito ao futuro dos jovens brasileiros. É só o começo! 

 

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