Geraldo Alckmin perdeu a batalha, mas a guerra continua!

             

Marcos Knijnik e Beatriz Mosken - GT Secundarista da ANEL

 

Na semana passada, nós da ANEL publicamos um texto dizendo: é possível vencer Geraldo Alckmin. No entanto, não imaginávamos que a derrota do tucano estivesse tão perto. A queda do Secretário da Educação e o recuo do governo, que revogou o decreto 61.672, foram importantes vitórias dos estudantes secundaristas do estado de São Paulo.

                A guerra que o governador do PSDB realizou nos últimos dias, para reprimir as manifestações de rua e as ocupações estudantis, terminou aumentando o seu desgaste com a opinião pública. Sem dúvidas, o apoio da sociedade, em especial dos familiares, professores, artistas e das comunidades, foi fundamental para obrigar o governador a retroceder. 

                O movimento avançou na pauta principal, contra o projeto de reorganização escolar, que foi, no mínimo, suspenso. Com a revogação do decreto, portanto, tivemos uma vitória importante através da força de nossa mobilização. Mesmo assim não devemos ter dúvida de que o governador seguirá tentando diversas outras formas de conseguir seus objetivos, seja não reabrindo as matrículas em algumas instituições, seja fatiando o fechamento de escolas em números menores a partir das diretorias de ensino ou mesmo apresentando o projeto para ser aprovado novamente em 2017 e, é claro, tentando criminalizar aqueles que lutaram em defesa das escolas. Por isso o que conseguimos até aqui é fundamental, mas é hora de seguir na luta porque vencemos apenas uma batalha de uma guerra que está longe de acabar. Por isso, a luta deve seguir de forma permanente até garantirmos as nossas vitórias. Nós exigimos também, por um lado, nenhuma criminalização dos participantes da mobilização e, por outro, a punição dos policiais militares que agrediram estudantes.

Fora Alckmin, Fora Dilma! Fora todos eles! A juventude não vai pagar pela crise!

            A força da nossa mobilização demonstrou que é possível derrotar os governos, os políticos corruptos e os seus ataques sobre a juventude e os trabalhadores. Ao fechar escolas e separar os ciclos Alckmin não tem nenhum outro interesse que não seja cortar gastos da educação. Assim como ele, Dilma aplica um duro ajuste fiscal, cortando gastos das áreas sociais para seguir remunerando com dinheiro público os grandes bancos e as empresas multinacionais. Eles brigam nas eleições, mas tem acordo em fazer o povo pobre pagar a conta da crise econômica.

                Por sua vez, o Congresso Nacional de Eduardo Cunha e Renan Calheiros quer atacar os direitos democráticos da juventude, em particular dos setores oprimidos. O Estatuto da Família, o PL 5069/13 e a redução da maioridade penal são exemplos da agenda conservadora dos deputados e senadores contra mulheres, negras e negros e LGBTs.

                Dilma cortou mais de 11 bilhões de reais da educação, Alckmin tenta fechar escolas e demitir professores e Cunha e Congresso Nacional pretende destruir nossas liberdades. Eles são todos inimigos da juventude, nenhum nos representa. A luta secundarista que participamos em São Paulo é uma grande lição e agora devemos nos unir com os trabalhadores para mudar o país. É necessário, agora, organizar os debaixo para derrubar os de cima.

  Construir grêmios livres em todas as escolas ocupadas!

            O final do ano está chegando e muitas ocupações estão ficando esvaziadas, como parte de um processo natural depois de três meses ininterruptos de mobilização. Depois da vitória parcial da semana passada, é normal algumas escolas encerrarem suas ocupações antes do período de férias. Em nossa opinião, essa decisão cabe aos estudantes de cada escola e deve ser tomada de maneira democrática, em assembléias de base.

                No entanto, a luta precisa continuar, seja através das ocupações ou das manifestações de rua. Acreditamos, também, que as reuniões do Comando das Escolas Ocupadas não podem se enfraquecer. Independentemente da manutenção das ocupações, os ativistas tem que continuar convocando e participando das reuniões do comando, pois ele é o nosso fórum legítimo de articulação unitária.

                    Além disso, o ascenso que protagonizamos abre a possibilidade dos estudantes secundaristas de São Paulo avançarem em sua organização de base. As centenas de estudantes que formam a vanguarda da nossa luta, que participaram das comissões de limpeza, segurança, comunicação, não podem se dispersar agora. Teremos que estar preparados para travar novamente a reorganização escolar e outros ataques dos governos e do Congresso Nacional.

                 É fundamental manter uma organização permanente dos estudantes por escola. Por isso, estamos propondo a construção de grêmios livres em todas as escolas ocupadas. Em muitas delas, os grêmios já existem, mas sofrem com a intervenção das diretorias ou são controlados por entidades burocráticas, como a UMES, e governistas, como a UPES e a UBES. 

                Todos nós temos que nos somar na tarefa de começar, desde já, a fundação de grêmios nas escolas onde eles não existem e a formação de coletivos ou chapas para disputar os grêmios dirigidos pela UMES, UPES e UBES. A construção de grêmios livres contribui, também, na luta para democratizar as escolas, pois eleger os nossos representantes estudantis é o primeiro passo para conquistarmos o direito de escolher as coordenações e diretorias das escolas.   

Educação de verdade se faz na luta! Democracia ja! Eu quero eleger meu diretor de ensino

Em muitas escolas ouvimos relatos e vimos na prática a atuação truculenta da polícia para acuar os estudantes em luta e resistimos bravamente contra toda a opressão que eles nos submeteram. Por outro lado, vimos também a atuação dos dirigentes de ensino na coordenação de práticas ilegais e mentirosas para desmoralizar e inibir a organização estudantil. Não à toa o áudio onde vimos o chefe de gabinete do secretário de educação declarar uma “guerra” contra nosso movimento era formada por mais de 40 diretores de ensino de todo o estado. Hoje esse cargo tem o poder de definir qual escola fecha e qual fica, quais salas serão fechadas e onde os alunos serão matriculados, etc. A maioria deles, senão todos, é indicado pelo governador ou pelo próprio secretário de Educação. Ou seja, são cargos de confiança que estão lá apenas para garantir que os planos do governo sejam aplicados. Com a situação em que se encontram nossas escolas é claro que o interesse desses engravatados não passa nem perto de defender a educação. 

Isso precisa mudar! Nossa luta demonstrou que os estudantes organizados sabem administrar as escolas muito melhor do que qualquer dirigente de ensino ou diretor. A partir de agora nada será como antes nas escolas, queremos eleger nossos dirigentes de ensino. Dizemos basta a essa estrutura de poder oligárquica que sustenta os privilégios de uma elite. Queremos diretas já para diretores de ensino! Além disso, queremos que o dia a dia das escolas seja definido de modo democrático, acreditamos que o melhor modo de administrar as escolas é organizando uma comissão composta proporcionalmente entre professores, funcionários e estudantes. Dessa forma, qualquer proposta de reorganização das escolas deverá passar pelos fóruns de debate e decisão das escolas! Chega de falarem em nosso nome! Democracia já! 

Vem aí a Plenária Estadual Secundarista da ANEL. Participe!

            No dia 20 de dezembro, vai rolar uma plenária estadual da ANEL, com a presença de estudantes secundaristas de todo o estado de São Paulo. A ANEL participa ativamente da luta contra o fechamento e a precarização das escolas, ajudando a coordenar ocupações na capital, Santos, Osasco, São Carlos, São José dos Campos, Campinas e nas cidades do ABCD paulista.

                Nossa plenária estadual vai reunir dezenas de ativistas que estão organizando a resistência secundarista e querem discutir a necessidade de um movimento estudantil independente e democrático, aliado da classe trabalhadora e internacionalista. Ela será um espaço de ampla discussão política e troca de experiências, onde todo estudante vai ensinar e aprender com os demais participantes.

Reivindicamos as lições da luta dos estudantes do Chile, como nos apresentou o dirigente estudantil chileno Christian Berríos, que, por convite da ANEL, fez inúmeros debates nas escolas ocupadas no mês de novembro. Aqui no Brasil, assim como foi no Chile, as ocupações das escolas devem servir para impulsionar um novo movimento estudantil combativo e não burocrático.

Portanto, convidamos os integrantes do Comando das Escolas Ocupadas, o coletivo Mal Educado e todos os estudantes secundaristas interessados para comparecerem na Plenária Estadual da ANEL. Ela vai ocorrer domingo, dia 20/12, a partir das 14h, no SINSPREV, Rua Antonio de Godoi, n°88. Não fique de fora! 

 

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