A mobilização contra a transfobia na Unicamp

Jéssica Milaré - ANEL Campinas

10847825_1514711248813800_8017754175066192920_nA maioria das travestis e mulheres transexuais no nosso país não conseguem completar o ensino médio pois são expulsas de suas escolas e de suas casas. Por isso, 90% delas encontra-se na prostituição, muitas vezes desde adolescentes. Nesta cidade, tem um bairro bastante conhecido por ser de prostituição, o Itatinga. Este bairro é dividido por uma rua: de um lado estão as mulheres que têm condição de cobrar um pouco mais por programa e, do outro, estão aquelas que estão nas situações mais precárias. O lado mais precarizado é conhecido como “o lado das travestis”.

 A Unicamp definitivamente não é um lugar onde se espera encontrar uma travesti, como eu. Há alguns anos, também não havia mulheres e homens transexuais estudando aqui, ou então essas pessoas conseguiram se esconder muito bem. Mas agora, nós, pessoas trans que estudamos aqui, começamos a aparecer e muitas pessoas começaram a se incomodar com nossa presença. Algumas mulheres, adeptas das teorias do “feminismo radical”, fizeram algumas pichações em dois banheiros femininos aqui, entre elas: “Não deixe os machos ocuparem nossos espaços”, “Vamos cortar a sua pica” e “Ser mulher não é calçar nossos sapatos”. Quando as pichações foram divulgadas pelas redes sociais, a repercussão foi muito grande, atingiu vários cantos do país.

Mas esses casos de transfobia são apenas a ponta do iceberg. As pichadoras apenas expressaram o modo como muitas pessoas nos tratam: como se a universidade não fosse um espaço para nós. É preciso dizer que a Unicamp também nos trata dessa forma.

No último dia 3, quarta-feira, estávamos eu, Bia, Amara e outras pessoas transexuais anônimas em uma reunião com um funcionário e uma funcionária do Diretório Acadêmico (DAC) para reclamar que, na Unicamp, o direito ao nome social é implementado de forma irregular e inconveniente e não é regularizado apesar de anos de reclamação. O nosso nome social aparece nas listas de chamada, mas não no nosso cartão universitário, nem nas bibliotecas, salas de informática, etc. Isso significa que temos que passar por constrangimentos na hora de fazer provas e de comprar meia-entrada no cinema, por exemplo.

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Também apresentamos vários casos de assédio e abusos cometidos pelo Serviço de Apoio ao Estudante (SAE), que se negou a oferecer assistência estudantil ao Leandro quando ele foi expulso de casa, além de tê-lo tratado o tempo todo pelo nome feminino para constrangê-lo. Além do Leandro, outras(os) LGBTs que são expulsas(os) de suas casas não recebem nenhum apoio do SAE, inclusive muitas vezes ocorrem casos de assédio do SAE contra LGBTs, mulheres e pessoas negras. Essa é mais uma expressão da precarização cada vez maior do ensino público, que resulta nos “cortes de gastos” nos programas de assistência e permanência estudantil. As pessoas que mais precisam destes programas para permanecerem na universidade são as que são mais maltratadas.

 Aqui cabe um questionamento: seria possível para nós, pessoas trans, combatermos tantos problemas? São dezenas de milhares de pessoas envolvidas na universidade, uma estrutura hierárquica antidemocrática baseada em um estatuto que foi criado na época da Ditadura Militar e a total apatia da reitoria diante de toda a transfobia institucionalizada na universidade. Pra piorar, somos apenas 8 pessoas trans na universidade, e nem todas têm condição ou disposição de colocar a cara a tapa. A conclusão é inevitável: ou ganhamos o apoio de pessoas cis (ou seja, pessoas que não são trans) para a nossa luta contra a transfobia, ou então jamais venceremos esta batalha.

 Nós, pessoas trans da Unicamp, nos últimos anos, militamos cotidianamente em reuniões, debates, mesas, eventos e nas redes para denunciar todas as formas de transfobia e conquistar o apoio dos coletivos e entidades estudantis dessa universidade para combater essa opressão. Apesar de todas as pessoas transfóbicas que muitas vezes querem nos expulsar de todos os espaços e até mesmo dos movimentos de combate às opressões; apesar de todas as políticas da reitoria que colocam ainda mais obstáculos à nossa permanência na universidade; apesar de toda a discriminação e opressão que sofremos na sociedade, nós não estamos condenadas(os) a viver em um eterno isolamento. A manifestação que realizamos no bandejão no dia 9 com mais de 100 pessoas e toda a visibilidade positiva que conquistamos nos mostra que isso é possível, nós podemos conquistar o apoio das pessoas que aqui estudam e trabalham para lutar contra a transfobia da universidade e a negligência da reitoria. E o mais importante: nós podemos vencer!

 Mas a nossa luta não acabou, pois os problemas que enfrentamos na Unicamp são apenas uma amostra de toda a transfobia no país, da negligência dos governos estaduais e do governo do PT, que fez muitas promessas e realizou encontros, mas não tirou nada do papel. Para se reeleger nesse ano, Dilma encontrou apoio de vários setores do movimento LGBT, que depositaram nela uma esperança, afirmando que a LGBTfobia seria criminalizada em seu governo. E nós não esqueceremos! Nosso movimento está de olho! Queremos que Dilma cumpra suas promessas de campanha.

A luta vai continuar na Unicamp e queremos que ela se espalhe para as outras universidades, para o Itatinga, para todas as periferias das grandes cidades onde houverem travestis sofrendo abusos da população e da polícia por viverem na prostituição, enfim, queremos que ela se espalhe para todos os cantos desse país. Queremos que as travestis mais marginalizadas da nossa sociedade estejam à frente, mas que levem consigo multidões de trabalhadoras e trabalhadores que digam a uma só voz: “Abaixo a transfobia, abaixo todas as formas de opressão!”

 - Pelo direito à identidade de gênero! Aprovação imediata da Lei João Nery! Não aceitamos a transfobia do Estado!

- Pela criminalização imediata de toda e qualquer forma de LGBTfobia! Aprovação imediata da PL 122 original!

- Pelo direito a estar nos banheiros, nas escolas, nas universidades e no mercado de trabalho! Por programas que garantam o acesso e a permanência de travestis, transexuais e demais pessoas trans em todos esses espaços! Pelo direito das pessoas trans a um emprego formal!

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