O ANO COMEÇOU QUENTE E A JUVENTUDE JÁ ESTÁ FERVENDO!

Nosso bloco já está na rua contra os governos e o aumento da passagem!

Mal deu para comemorar a virada do ano e a população já sentiu no bolso que 2016 não será nada fácil. Se depender dos governos de plantão os trabalhadores e jovens irão pagar a conta dessa crise que só aprofunda dia após dia. Ainda em dezembro, várias capitais já indicavam aumento da tarifa do transporte público para janeiro. Dito e feito, logo na primeira semana mais de 18 cidades anunciaram o ajuste na passagem após alegar que era preciso cobrir o elevado custo de manutenção, que cresceu, sobretudo com o aumento da inflação e o encarecimento do combustível.

Conversa fiada. Todos os anos governantes e empresários arrumam uma "quase" nova desculpa para aumentar o preço da passagem, sem nem ao menos garantir a qualidade do serviço. O resultado pode ser definido em uma palavra: Indignação. Em diversas capitais o ajuste superou em muito o valor proporcional à inflação oficial (IPCA), como é o caso de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro, por exemplo. Os empresários ainda têm a cara de pau de justificar o aumento abusivo com o argumento da recomposição de perdas após o congelamento da tarifa em junho de 2013.

É por isso que as manifestações contra o aumento da tarifa, que iniciaram em São Paulo, hoje se espalham por todo o país e provocam a ira dos governos, que respondem com criminalização e repressão aos movimentos sociais. As imagens e vídeos que circulam nas redes sociais após os atos deixa evidente qual a orientação da Polícia Militar: Tiro, porrada e bomba! A verdade é que nesse bloco todos os partidos da ordem são responsáveis por mais esse ataque. Do PT ao PSDB, do PMDB ao PSB e PDT, ninguém fica de fora para garantir o lucro da máfia do transporte, principalmente porque já estão de olho no financiamento das suas campanhas eleitorais no segundo semestre.

Mas não é só o "busão" que está pesando no orçamento. O aumento do custo de vida e das demissões já assombra a vida de milhões de jovens brasileiros, que agora têm que tocar a vida em condições bem menos favoráveis. Para ter ideia, a Organização Internacional do Trabalho - OIT, que em 2015 apontou o desemprego da juventude brasileira acima da média mundial, já divulgou em relatório que a perspectiva deste ano é que um a cada cinco novos desempregados no mundo seja do brasileiro. No ritmo do governo Dilma a sequencia de ataques aos trabalhadores e jovens, por meio de pacotes econômicos mais duros de contenção da crise pode render até o final do ano mais de 700 mil demitidos. E pra piorar até o acesso ao seguro-desemprego ficou mais difícil com a aprovação da MP 665 no ano passado pela presidenta.

 

Essa crise não é nossa! Que os ricos paguem a conta!

Para os adeptos da definição de categorias geracionais por X, Y e Z, podemos afirmar que essa é a primeira crise econômica e política de grandes proporções enfrentada pela geração Y, que corresponde as pessoas nascidas no período de 1980 a 2000. Isso significa que se antes a relação acesso ao ensino superior, estágio e mercado de trabalho era complicada, agora está aterrorizante. Com a passagem mais cara até mesmo o deslocamento, ou seja, o básico direito de ir e vir está comprometido.

Mas qual a dimensão dessa crise? É complicado afirmar categoricamente, mas algumas pistas indicam o que está por vir. Na lista do top 10 das economias em situação de risco, o Brasil ocupa a 8º posição no ranking mundial de acordo com a consultoria Eurasia Group. Para o Fundo Monetário Internacional - FMI, a economia brasileira terá recuo de 3,5% neste ano, e seguirá em queda também em 2017.

Como deu pra perceber a situação não está nada fácil, entretanto existe outro lado da moeda. Os ricos e poderosos seguem batendo recorde de lucro, como é o caso do Itaú que atingiu a meta recorde de R$ 23,35 bilhões. No transporte não é muito diferente. Apesar do drama promovido pelos empresários acerca dos gastos de manutenção do sistema, as cooperativas e empresas de ônibus da cidade de São Paulo obtêm juntas cerca de 60% do lucro pela exploração do "transporte público", de acordo com o ex-secretário de transporte da capital Lúcio Gregori. Em números precisos informados pela Prefeitura de São Paulo, a resultante foi igual a R$ 45.236.094 em dezembro de 2015. Isso é apenas uma amostra do que ocorre nos diversos municípios, onde o transporte é uma grande fonte de dinheiro, utilizada como moeda de troca para garantir privilégios e esquemas de corrupção entre políticos e donos das empresas deste segmento. 

 

Então qual a fórmula para garantir transporte público e de qualidade para a população?

Primeiro é preciso encarar esse assunto como um direito constitucional dos trabalhadores e jovens, por isso deve está acima de qualquer interesse financeiro. Garantir mobilidade urbana é fundamental para o combate à evasão escolar, para promover condições minimamente dignas para que desempregados busquem trabalho, promover acesso à cidade ao conjunto da população, bem como possibilitar melhores condições a juventude de obter acesso à arte, cultura e lazer.

Desta maneira, a melhor fórmula para garantir transporte público e de qualidade é em primeiro lugar revogar imediatamente todos os aumentos. É absurdo que o povo pague mais caro por um direito que é seu, na prática o que os empresários fazem por meio das ditas concessionárias de transporte é extorsão. Essa pauta precisa ser combinada com a defesa intransigente dos trabalhadores rodoviários, de condições de emprego e melhores salários. Não podemos permitir que em detrimento do bolso da máfia do transporte seja regulamentada a dupla função e extinta a ocupação de cobradores, isso tornaria ainda mais caótica a situação nos ônibus. Não para por aí! É preciso aumentar e muito a malha rodoviária para acabar com a lotação do transporte e permitir acesso decente à população que mora nos bairros periféricos. Avançar no sistema de segurança dos coletivos para impedir os inúmeros casos de estupro, assédio e violência que ocorre nos coletivos, e atinge de maneira mais brutal as mulheres negras, trabalhadoras e jovens.

Segundo, é preciso que os governos atendam as vozes das ruas, o passe-livre é fundamental, sobretudo, para estudantes e desempregados. Pressionados pela mobilização popular que sacudiu o Brasil em junho/2013, algumas prefeituras aprovaram o projeto de passe-livre. Uma grande vitória. Entretanto uma parte significativa destes são limitados devido aos critérios impostos pelos acordos entre os governos e empresários, ou seja, apenas alguns estudantes usufruem deste direito que não raras vezes prevê acesso somente a duas passagens/dia. Chega de enrolação, queremos passe-livre de verdade!

Além disso, para conquistar a tarifa zero é preciso romper com a lógica do mercado e tirar o transporte das mãos da iniciativa privada. Como fazer isso? Através da estatização. Isso possibilitaria que o sistema de transporte público fosse gerido por meio de conselhos populares, de forma que os vários segmentos sociais dentre estes trabalhadores, jovens, ativistas, sindicatos e movimentos sociais, possam discutir e definir os parâmetros do funcionamento da rede à serviço das necessidades da população, ou seja, de forma verdadeiramente democrática.

 

Seguir o exemplo de luta dos secundaristas de São Paulo para unificar os trabalhadores e a juventude contra os governos e o aumento da tarifa!

Neste sentido, as mobilizações precisam para se fortalecer apontar no sentido da unificação dos diversos movimentos sociais, grupos, sindicatos e ativistas de maneira geral nas várias cidades. Para ter vitória é fundamental apontar no caminho da independência frente a todos os governos e partidos. Autonomia e democracia nas deliberações para que o conjunto do movimento seja parte dos rumos da luta contra o aumento da tarifa.

Sendo assim, apesar do papel que o Movimento Passe-Livre tem cumprido neste processo, faz-se necessário destacar que consideramos equivocada a forma como a organização tem conduzido às manifestações. Sem considerar a pluralidade das mobilizações, não raras vezes as decisões são realizadas de modo unilateral, isso fica expresso desde as deliberações do trajeto dos atos até as negociações com os fajutos Conselhos Metropolitanos de Transporte. Para a ANEL a experiência do Bloco de Lutas de SP impulsionada pelo Sindicato dos Metroviários, na esteira da experiência de Porto Alegre é muito positiva, e por isso consideremos este o espaço de organização mais avançado na luta contra o aumento da tarifa, pois consegue conciliar luta e democracia. A iniciativa de organizar os diversos setores do campo da esquerda em um mesmo espaço, que dê vazão às avaliações múltiplas entorno do processo e organize táticas comuns é a receita para derrubar mais esse ataque.

O desafio é grande, mas a história já deu provas que é possível! Principalmente pra quem tem coragem de passar por cima de todos os governos, a começar por Dilma, Temer, Cunha e Aécio, para defender direitos conquistados a ferro e fogo nas lutas e nas ruas.  Num recado bem simples e direto: É tempo de organizar os de baixo para derrubar os de cima! Aqueles que querem que o povo pague a conta da crise devem ficar de olhos abertos. Essa fatura a gente não aceita! Diante da conturbada situação política que vive o Brasil, uma coisa é certa: Todos os de cima estão de mãos dadas para aplicar o dito ajuste fiscal. Do lado de cá não pode restar dúvidas: Nenhum deles nos representa! No carnaval e no resto do ano a gente samba ao lado trabalhadores, da população pobre, das mulheres, dos negros e negras, das pessoas LGBT's. Nosso compromisso é com os mais explorados e oprimidos. Então fica atento, assim como os secundaristas de São Paulo, nós também já estamos fervendo.

 

*Fotos: Paollo Guerrero/ Janaína Oliveira

 

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