UNE, chega de transfobia no movimento estudantil!

         

          O 6º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE ocorreu entre os dias 1 e 3 de maio deste ano e teve a participação de Luisa, uma mulher trans. Após o encontro, surgiram vários relatos nas redes sociais por parte de feministas radicais que estavam fazendo uma campanha de calúnia e difamação contra Luisa. Entretanto, as denúncias das feministas radicais não foram capazes de apresentar nenhuma atitude opressora por parte da Luisa.

          A principal base dessas denúncias é o desconforto que muitas mulheres tiveram no encontro por causa da presença da Luisa, em especial no banheiro feminino, por ter uma aparência socialmente considerada como masculina. É esperado que exista esse desconforto, já que a grande maioria das pessoas não está acostumada a conviver com pessoas trans. Isso é consequência da transfobia que existe em nossa sociedade, que separa e marginaliza as pessoas trans da maioria dos espaços públicos. A violência transfóbica expulsa-as de suas famílias, escolas, universidades, do mercado de trabalho e da rua, fazendo com que, muitas vezes, a única opção para as mulheres trans e as travestis seja viver em bairros periféricos através da prostituição. Isso faz com que a presença de pessoas trans seja “desconfortável” para a sociedade em absolutamente qualquer lugar. Luisa não tem culpa das contradições da sociedade.

          Para tentar resolver esse conflito, a UNE apresentou como solução que as pessoas trans utilizassem um banheiro isolado. É um absurdo que a UNE proponha o isolamento das pessoas trans dentro de seus próprios espaços. Se isso não bastasse, a organização ficou procurando pessoas que tinham a aparência de serem trans para dizê-las que havia um banheiro exclusivo para elas e para explicá-las como deveria ser utilizado esse banheiro. Como consequência, algumas pessoas cis (ou seja, que não são trans) foram confundidas com pessoas trans. Mas o único critério válido para definir se uma pessoa é trans é a partir de sua identidade de gênero, não a partir de sua aparência. Essa política da UNE é transfóbica em vários sentidos.

          Isso, para nós, não é uma questão menor. Nossa entidade é contrária a qualquer forma de opressão. Sendo assim, não podemos reproduzir o isolamento social das pessoas trans dentro de nossos próprios espaços. Muito pelo contrário, nossa política deve ser que essas pessoas sejam bem-vindas e que possam utilizar o banheiro de acordo com seu gênero ou sua escolha.

          Os relatos das feministas radicais acusam Luisa por ter chegado ao encontro de barba e com roupas masculinas, sendo que ela raspou a barba e emprestou roupas femininas de outras mulheres no evento. Essa “denúncia” não faz nenhum sentido. Independente dos motivos de Luisa, muitas mulheres trans e travestis já tiveram ou mesmo têm barba, algumas por escolha, outras porque não tiveram condições de passar por uma terapia hormonal desde a pré-adolescência e não conseguiram bancar financeiramente a depilação a laser. Também é verdade que muitas delas usam roupas masculinas, por exemplo, para sair na rua ou para trabalhar, por necessidade ou escolha. Sendo assim, essa “acusação” é pura difamação. Luisa em nenhum momento depois de assumir sua identidade feminina chegou a negar essa identidade.

          Outra acusação feita a Luisa é que ela beijou outra mulher durante um sarau. Nenhum relato afirma que o beijo foi forçado, nem que a outra mulher tenha acusado a Luisa. Sendo assim, essas feministas radicais querem que nós acreditemos que um beijo entre uma mulher trans e uma mulher cis, por si só, é uma forma de violência. Mais ainda: algumas feministas radicais afirmaram que uma mulher trans, como a Luisa, afirmar ser lésbica e relacionar-se com outras mulheres é “cultura do estupro”.

          Em primeiro lugar, essas feministas radicais estão tentando impor a heterossexualidade à mulher trans, seja forçando-a a identificar-se como homem, seja proibindo que ela tenha relações com outras mulheres. Em segundo lugar, elas também estão reproduzindo o machismo sobre a mulher cis, proibindo-a de se relacionar com uma mulher trans, além de afirmar implicitamente que ela não é capaz de discernir se está ou não sendo coagida ou violentada. Associar essa relação a uma forma de violência, ou pior, ao estupro, é apenas mais uma forma de calúnia que oprime a sexualidade de ambas as mulheres envolvidas, principalmente da mulher trans. Não podemos aceitar essa “fiscalização” da sexualidade e da genitália alheia.

          Nós, da ANEL, nos posicionamos de forma contrária a toda forma de difamação e de calúnia, principalmente quando são utilizadas para oprimir. A opressão transfóbica serve apenas para reafirmar a estrutura transfóbica da sociedade, expulsando as pessoas trans. No Congresso da ANEL, todas as pessoas oprimidas são bem-vindas para debaterem livremente todos os temas e apresentarem suas propostas, seja em conjuntura internacional, nacional, combate às opressões, legalização das drogas, garantia dos direitos reprodutivos, etc. Mas, para que essas pessoas sejam bem-vindas, todas as formas de opressão precisam ser combatidas.

          A UNE, pelo contrário, não emitiu nenhuma nota pública para defender a Luisa de todas essas calúnias transfóbicas. Mais do que isso, não é possível encontrar um único texto dessa velha entidade fazendo qualquer debate sobre transfobia, por mais raso que seja. Não é à toa que quase não tinham pessoas trans nesse evento. As mesas durante o evento também não representaram nem as pessoas trans, nem as mulheres negras.

          Durante a 9a Bienal da União dos Estudantes Universitários, Nelsinho Moralle, um líder quilombola, após sua apresentação musical, fez uma crítica à organização do evento porque os artistas famosos receberam cachês astronômicos enquanto ele e outros artistas desconhecidos não receberam nem sequer uma ajuda de custo. Em resposta a isso, organizadores do evento abordaram-no dizendo que ele não tinha direito de fazer aquelas críticas e chamaram seguranças para expulsá-lo. É um absurdo o racismo e a falta de democracia nos espaços da UNE!

          A UNE não defende as mulheres, pessoas negras e LGBTs em seus espaços. Não poderíamos esperar outra postura de uma entidade que defende o governo do PT, o mesmo governo que está realizando cortes no orçamento (inclusive a educação) e retirando os direitos trabalhistas através das MPs 664 e 665 da Dilma e da PL 4330 da terceirização, o que vai afetar principalmente as pessoas oprimidas, o mesmo governo que não investe quase nada em políticas para essas pessoas. Nós, da ANEL, pelo contrário, mantemos nossa independência financeira e política do governo e fazemos um compromisso público de combater qualquer caso de opressão que venha a acontecer em nossos espaços.

 

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